AA Pinho Pessoa
A Associação Atlética da Rua Pinho Pessoa ou o Pinho Pessoa é o genuinamente nascido do povo.
Fundado no primeiro dia do ano de 1961, não foi incluído na fundação da Liga, no fim de 1962, e só foi aparecer em 1963.
O time nasceu na rua mesmo. Profissionalismo matuto mesmo, nunca houve mesmo um corpo diretor ou uma pessoa para dizer "esse é o fundador do time". O Pinho Pessoa é um conjunto. Uma obra criada durante os rachas na rua. O nome Pinho Pessoa não é homenagem ao fulano que foi homenageado com o nome da rua. O nome é uma homenagem à rua mesmo.
Era a rua que eu morava... não sei se existia em 1961 e, se existia, era com esse nome. Quem se importa?
O Pinho Pessoa surgiu pra incomodar os 4 fundadores da Liga [Sporting, Náutico, América e Quixadá]. Surgiu pro confronto! Era o time que tinha torcida! E torcida pobretona mesmo. Sem vergonha. Resultado: em 63 foi quase expulso da liga por causa dos "maus exemplos" de seus adeptos. O time fazia muito barulho, mas terminou em último mesmo em 63. E em 1964 a coisa não chegou a ser tão diferente. Ameaçavam então fechar.
Foi quando Roberto pegou a camisa 10. Pronto. Artilheiro do campeonato de 65 e capitão do time bicampeão 65/66. Nesse período, a Liga ganha proporções de gigantismo! Há torcidas nos campos e a criação de um estádio propriamente feito para o futebol de travinhas surgiu como fator fundamental para acompanhar o crescimento.
É o Pinho Pessoa quem cutuca a Liga. É o Pinho Pessoa que faz surgir a ideia do Municipal! Um estádio em forma de C. Num formato de colchete mesmo. Com o lado vazio de arquibancada sendo o da Praia!
No entanto, antes da fundação do Municipal, em 1971, o Pinho Pessoa manda os jogos na rua. Num quarteirão transformado em campo, com as arquibancadas sendo nas ruas do entorno dele.
Há uma sinergia tremenda no estádio da Rua!
Um estádio todo mal arrumado, mas "aconchegante", com capacidade pra 3mil. Hoje está aposentado, mas a ideia de jogar na Rua é simplesmente arrepiante e assustador ao mesmo tempo!
Decidir um campeonato na Rua foi sempre de dar calafrios. Principalmente para o Club Sporting de Fortaleza... [isso fica pruma outra].
Depois do bi 65/66, começa um hiato e o Pinho Pessoa ganha torcida, mas não ganha títulos. No entanto, quando ganha, vence tudo. Em 1991, o Pinho Pessoa conquistou a Liga e a recém criada Copa [a primeira Copa Ceará data de 1989], foi assim que surgiu a ideia de coroar o time que vencesse as duas competições como Rei do Estado.
Além de 65/66 e 91. O Pinho Pessoa traz na história dois irmãos em duas décadas que marcam a sua história. Nos anos 70 e 80, Renato é a grande referência do time e quando ele se aposenta, dá lugar ao irmão mais novo, Antônio da Silva, único jogador a conseguir ser 3 vezes seguidas artilheiro da Liga [1989, 1990, 1991].
A história comove porque Antônio morre precocemente em 1993... num acidente de carro. Um luto que foi herdado na camisa e nas cores do clube, antes azul e branco. O preto foi incorporado quando da notícia do falecimento do artilheiro. Oh... como tive lamentações nesse dia...
O fato é que o clube hoje é azul, branco e preto. Mas, camisa, antes listrada em azul e branco, agora [desde 1993] é preto e azul com calções e meias pretos.
O escudo sempre foi a cópia do escudo do Grêmio. Sempre. Mas, aquele meio preto na bola tinha uma referência à rua. À rua mesmo.
Sempre é tradição quando o Pinho Pessoa é campeão, fazer o artilheiro. Assim foi 65 e 91, como também foi em 2004. Didi salvou o time e fez acreditar em ser campeão.
O Pinho Pessoa antes havia sido rebaixado em 98 ou 99 [eu tenho que checar]. Subiu no ano seguinte, mas sempre fez campanhas discretíssimas... muitos diziam que chorava ainda a lembrança de Antônio da Silva [a sua camisa 7 foi imortalizada e ninguém veste mais desde 2001]. Em 2004, o time ganha corpo com Didi e vence.
Antes de 2004, tem a conquista da Copa de 2003, um título comemoradíssimo, assim como a Copa de 1997. Mas, sabe como é vencer a Liga, né? Um estouro!
O time vence outra vez em 2011 a coroa [Liga e Copa]. Ano passado, junto com o Aracati, entrou em pane e entregou o título ao Mallmann.
O time ainda conta com Didi e tem um Cassiano muito presente também. Joga no clássico. Dois defesas, um armador e dois alas, Didi e Cassiano.
Tem tanta coisa pra dizer... eu tenho que colocar os resultados da rodada de ontem. Amanhã eu conto mais.
Tomara que tu leia tudo. Percebi que escrevi demais.
Os torcedores são chamados de "operários" e tem também o apelido que foi aderido com o tempo de "maltrapilhos"... antes tido como ofensa e hoje em dia muito difundido pelos próprios torcedores.
A escolha das cores foi simples. Há uma esquina na rua que eu morava com a placa "Rua Pinho Pessoa". Pronto. Estavam escolhidas as cores. A morte do Antônio da Silva foi junto com história do Ayrton Senna [1994]. Mas, na minha brincadeira, eu atrasei um ano.
E aprendi o que é luto e soube da história do América [de Minas], que jogava o campeonato brasileiro de 94... uma coisa puxando a outra.
O time é muito forte hoje. E ontem mandou uma goleada no Aquiraz, em pleno estádio Praiano [uma história linda linda linda].
[está tentando fazer sombra ao poderoso Mallmann]
Ah, sim. No meio do escudo tem a sigla AAPP, que até é uma abreviação porque o clube tem a seguinte sigla no seu portão: AArPP com o r minúsculo mesmo. Um charme.
O ano do rebaixamento foi 99. O acesso foi conquistado em 2000, invicto [15 vitórias e 3 empates].
O ano de 99 é o campeonato mais maluco que já fiz. Tão maluco que joguei fora e comecei uma nova era em 2000.
Esse jogar fora vai junto 98 e 97. Um tempo que eu quis me livrar disso.
Antes de 97, eu não tive a ideia de guardar o que eu inventava.
Mas, inventei as histórias ao longo do tempo... assim como vou inventando e dando mais corpo à isso. Devo estar ficando louco.
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